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Ilustres que apóiam ACM

por Debson Luís

Ivete Sangalo, Ricardo Chaves, Beto Jamaica, Netinho, Gil (da Banda Beijo), Xanddy, Carla Perez, Neguinho do Samba e Reinaldo (do Terra Samba), Durval Lélis, Emanuele Araújo, Carla Visi, Bel Marques, Tatal, João Jorge (do Olodum), Márcia Short, Serginho (da banda Pimenta Nativa), Tonho Matéria, Márcia Freire, D. Canô. Pensa que acabou? Tem mais: Gilberto Gil e Flora Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e, talvez o nome mais disparatado dentre os já mencionados, Zélia Gatai. E não foram só manifestantes individuais que demonstraram apoio ao senador Antonio Carlos Magalhães não. Entidades baianas também expressaram oficialmente apoio ao ex-presidente do Senado, como os Filhos de Gandy, o Olodum, o Malê, a Irmandade da Boa Morte, a Irmandade da Ordem Terceira do Carmo (Cachoeira), a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a Organização do Auxílio Fraterno, os Apaches, a Federação da Agricultura, do Comércio e das Indústrias e a Associação Comercial da Bahia.

Todos sabemos que há razões históricas fortes e suficientes para nutrirmos repúdio à figura de ACM. Para os que têm memória curta recomendamos uma rápida leitura do artigo escrito pelo jornalista Alberto Dines (Mídia de rabo preso em ACM), devidamente preservado na seção Arquivo, aqui no MN. Se este artigo for insuficiente para despertar a memória do amnésico leitor, recomendamos, então, que se leia Memórias das Trevas de João Carlos Teixeira Gomes. Neste livro, Teixeira Gomes relata a trajetória política de ACM revelando minuciosamente seus esquemas, estratégias e artimanhas, eticamente questionáveis, em sua escalada ao topo do poder.

Cabe, neste caso, ante os fatos ululantes, perguntarmos: por que? Nos quase cinqüenta anos da vida pública de ACM, onde estiveram esses ilustres baianos? A postura dos mais jovens e claramente menos politizados como Netinho, Beto Jamaica, Gil e Ricardo Chaves é, de uma certa forma, compreensível. Sua mediocridade política é evidenciada em suas canções descompromissadas até mesmo com o tema de seus enredos, o amor. Exceto no caso de Beto Jamaica que apela para aquela linha ambígua, do duplo sentido, excessivamente erotisada, no limiar da pornografia. Esses são produtos da indústria fonográfica para captar dinheiro, muito dinheiro. Ivete Sangalo, por exemplo, vende centenas de milhares de CDs, mas não é esse o foco desta discussão. O que se quer desvendar é a razão de tal solidariedade. Será que o apoio dessa turma do Axé Music seja uma espécie de retribuição a shows bancados por ACM e companhia em Salvador no carnaval oficial e temporão ou em comícios eleitorais? Quem sabe?

Mas ver entre as assinaturas do manifesto solidário a ACM as de pessoas bem vividas, oriundas das mais ricas fontes culturais deste país, como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e, principalmente, Zélia Gatai é incompreensível e inadmissível. Não que eles não tenham plena liberdade para se posicionarem da forma como bem entenderem sobre determinada pessoa ou sobre qualquer coisa. O problema é que são pessoas, até então, de uma lucidez artística, cultural, política e social indiscutível. Até então! Porque, a partir de agora, essa lucidez torna-se questionável. Pois o que está feito o está para sempre. E os feitos de ACM foram, sobremaneira, malévolos ao Brasil e mórbidos à Bahia. Então um baiano desinformado que cultua a imagem de ACM esbravejará: "Que absurdo! Que calúnia".

Absurda é a situação dos sertanejos que povoam o interior baiano. Fome, desnutrição, taxas elevadas de mortalidade infantil e doenças parasitárias são freqüentes nessa triste e miserável realidade. Realidade que nada mais é que a conseqüência direta das decisões políticas dos governantes baianos cujo mestre, sublime mentor, ou melhor, cujo manipulador de marionetes se chama Antonio Carlos Magalhães.

Calúnia é encobrir a imoralidade da fome e da pobreza com discursos moralistas para tentar nos confundir, nos iludir. Dizer que ACM sempre agiu ética e moralmente é inversão total de valores. O certo passa a ser errado e o errado torna-se sagrado. Não podemos aceitar jamais tal imposição.

Assim, em nome da ética no conjunto dos valores mais autênticos, baseados na honra e na justiça, que ardam no fogo da consciência, por pecarem contra si, as pessoas cujos nomes estão acima relacionados. Que sejam castigados com a "vil maledicência" da opinião pública por terem perpetrado uma dentre as mais abomináveis atitudes: a de fingir-se cegos. Pois, da posição privilegiada que desfrutam, tornam-se cúmplices de Antonio Carlos Magalhães.

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