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As várias faces do terror

por Debson Luís

O mundo parou dia onze de setembro de dois mil e um. Nas telas das TV's de todas as partes do globo terrestre as imagens da destruição, transmitidas ao vivo, se confundiam numa espécie de showbusiness bizarro e a concretização de alguma profecia apocalíptica. Seria o começo da Terceira Guerra Mundial? Seria o sinal, esperado por muitos, do juízo final? Não. Tratava-se, na verdade, de mais um atentado terrorista perpetrado contra os EUA. Seria razão suficiente este país ser a maior potência econômica do planeta para justificar o terrorismo do qual tem sido vítima, principalmente nos últimos anos? Será que tais ações terroristas seriam motivadas por alguma espécie de inveja subdesenvolvida aliada ao fanatismo religioso? Tais indagações parecem perigosas por colocarem as coisas de forma muito simplificada. E as coisas não são tão simples assim.

É preciso compreendermos, primeiramente, que a condição de país número um do mundo não depende somente de fatores internos, inerentes à política, à economia e à sociedade norte-americana. Ser o número um do mundo nos passa uma idéia distorcida de auto-suficiência em relação aos demais países, o que não é verdade. Os EUA estão no topo dentre os maiores exportadores de bens de consumo da Terra, especialmente dos produtos de alta tecnologia e automóveis. No entanto, para poderem produzir tais bens eles importam matéria-prima de outros países. Matéria-prima que, aliás, é comprada a preço de banana de países como África do Sul, Indonésia, Índia e Brasil. Eles também não são auto-suficientes na produção de alimentos para sua população. Brasil e China são seus principais fornecedores de cereais e grãos. É curioso observar que os EUA aparecem entre os maiores exportadores de cereais, como a soja, que, na verdade, é comprada de outros países e revendida. Dessa forma, até o Paraguai aparece entre os maiores exportadores de soja do mundo.

Em segundo lugar, os EUA, como potência industrial, precisam de mercado consumidor para o excedente de sua produção e, conforme aumenta o consumo, aumenta a produção que é garantida através das chamadas multinacionais, que se instalam nos centros consumidores, principalmente em países subdesenvolvidos onde a mão-de-obra disponível é mais barata. Geralmente, esses países não têm infraestrutura para a instalação das empresas, por isso recorrem a empréstimos vultosos de instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional), órgão financiado pelo capital norte-americano, que impõe severas condições ao efetuar o empréstimo, com um pretenso "plano de desenvolvimento" que é, na verdade, um círculo vicioso que mantém o país submetido ao comodato numa eterna dependência. Essa dependência vincula o devedor ao credor de forma que aquele se torna uma espécie de servo que, não tendo condições de sanar sua dívida, atende às duras exigências de seu senhor, ficando, portanto, sempre na condição de sujeito inferior; no caso de um país, sempre na condição de subdesenvolvido.

Subdesenvolvimento é sinônimo de desemprego, analfabetismo, fome, violência, desigualdade social, enfim, miséria. Essa situação explica o por quê de tanta violência aqui no Brasil. Ela é fruto da incapacidade administrativa de nossos políticos que são, sobremaneira, submissos às pressões externas impostas pelo FMI, o que caracteriza uma forma bem sutil, é verdade, quase imperceptível de terrorismo, já que muitos morrem todos os dias, vítimas da fome ou da violência, quando não de ambas!

Essa postura arrogante dos EUA sobre os demais países do mundo, sobretudo os países mais pobres detentores de matérias-primas que lhes interessa, como o petróleo do Oriente Médio, por exemplo, é que desperta a antipatia de muitos povos contra si. Mais do que o fundamentalismo, seja islâmico, cristão ou judeu, o terrorismo disfarçado promovido pelo Tio Sam provoca reações. É a terceira lei de Newton: para toda ação existe uma reação de sentido contrário e de mesma intensidade. O que ocorreu em Nova Iorque e em Washington naquela manhã não foi uma ação terrorista, mas, simplesmente, a aplicação de uma lei da física.

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