Make your own free website on Tripod.com

A culpa é de São Pedro

por Debson Luís

Virou moda culpar São Pedro por todas as tragédias e calamidades decorrentes da chuva, seja pelo excesso ou pela falta dela.

Primeiro veio o apagão. Culpa de São Pedro que não mandou chuva o suficiente e, por isso, os reservatórios de água das usinas hidrelétricas ficaram muito abaixo da capacidade que permitia o consumo ao qual estávamos todos habituados. Convenhamos, todavia, que o racionamento, ao menos, nos fez perceber quanta energia desperdiçávamos e que, agora, aprendemos a economizar, o que é muito bom, especialmente para nossos bolsos que não andam muito bem de saúde, o que não justifica, entretanto, o risco que enfrentamos de ficarmos todos no escuro, com alimentos perecíveis se deteriorando nas geladeiras desligadas ou, até mesmo, de termos que nos banhar em água fria em dias frescos! Já imaginou?

De tanto reclamarmos, São Pedro terminou por acatar tantas orações e, imagino que perturbado por não tão poucas injúrias, começou a mandar a, então escassa, água. Vieram as chuvas. E choveu, choveu, choveu tanto que a capacidade dos reservatórios agora está acima do normal. Isto quer dizer que tem água para que seja gerada a energia necessária para abastecer o país e ainda sobra para uma possível emergência, caso haja outra estiagem tão prolongada. Graças a São Pedro, os rios se encheram. Encheu o São Francisco, o Paraná, o Grande, o Tietê, o Pinheiros, alagou-se ruas, avenidas, marginais, o lixo se espalhou por todos os lados, casas foram destruídas, ou pela força das águas ou por deslizamentos de encostas, carros foram arrastados, pessoas, enfim, São Pedro exagerou. Suspeita-se que tanta água pode ter criado ótimas condições para a procriação do mosquito da dengue, o que explicaria a epidemia.

Até na pequena cidade onde moro, São Pedro é responsável por estragos. O jornal local de maior circulação publicou recentemente que a prefeitura irá recapear, aproximadamente, 45 mil metros de ruas cuja pavimentação lembra, como me disse um amigo, um queijo suíço. O impressionante é que as ruas onde as condições são mais catastróficas são, justamente, as ruas mais novas, ruas que o atual prefeito pavimentou em seu primeiro mandato entre 1993 e 1996. Ou seja, asfalto que, sequer, completou dez anos de idade. Que absurdo! E a matéria desse jornal aponta para o evidente culpado: o próprio: São Pedro. O excesso de chuvas acabou estragando o pavimento novinho, novinho! E o dinheiro público foi-se embora na enxurrada. Ê, São Pedro!

Mas se São Pedro é mesmo o grande responsável por tanta mazela, a culpa é, em última estância, totalmente nossa. Não aprendemos ainda a escolher direito e, em meio a tantos santos, sejam grandes ou pequenos, acabamos o elegendo para administrar o tempo e sua incompetência acaba por atrapalhar a excelência administrativa de nossos políticos que nada podem fazer diante da força da natureza.

"Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós"!

Retornar à página anterior