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Manifesto pela extinção da espécie humana

por Lucius Fernandes

A humanidade é uma piada. E é por causa de sua natureza contraditória. Sempre que se supera em avanços para a melhoria de sua qualidade de vida (em progressão aritmética) também se supera quanto a degeneração da própria espécie e do planeta (em progressão geométrica).

Durante centenas de milhares de anos, o homem viveu sobre a Terra da coleta de frutos, brotos e raízes, da caça e da pesca. Não havia fome, nem desigualdades sociais, mas também não havia internet, forno de microondas ou televisão. Toda riqueza material da qual usufruímos agora só começou a se tornar possível quando o ser humano aprendeu a plantar para colher. Isto sim foi uma revolução. Sua maior conseqüência foi o que se chama "civilização". E aqui estamos, em nossas casas, diante de nossos computadores, desfrutando de tudo o que nos é oferecido em alta tecnologia e conforto, mas trancados, aprisionados pelo medo daquilo que simplesmente é dejeto do dejeto do processo civilizatório: violência.

Isto não se trata, entretanto, de uma tese que explicará tal manifestação ou, tampouco, se trata de uma análise fria a seu respeito, até porque há já saturação no que tange a este assunto. O que deverá ser tratado aqui: uma sugestão para acabarmos, de uma vez por todas, com todos os males que afligem a humanidade. Ou, melhor, uma idéia para pormos fim aos problemas pela raiz, cuja origem reside na contradição.

Soa familiar tal proposta? Tranqüilize-se. Muito embora meu intento tenha até caráter revolucionário, não proporei a organização da classe proletária para a derrubada do Estado e a destruição do capitalismo como único meio de se pôr fim ao absurdo da exploração do homem pelo homem e das mazelas decorrentes disso. Minha proposta vai muito além e não terei que me pautar em filosofias ou outros fundamentos teóricos quaisquer para defini-la, simplesmente porque é a mais simplista das alternativas. Simplista, porém eficaz. É a única e definitiva saída. Aliás, única talvez não, mas definitiva, certamente!

Proponho à humanidade o auto-extermínio imediato da espécie. Eis a solução que encerrará, para sempre, o crescimento da miséria, da violência, poluição, conflitos armados, tráfico de drogas, atentados terroristas. Junto com a espécie humana exterminaria-se epidemias de malária, dengue, febre-amarela, AIDS. Não teríamos mais que nos preocupar em encontrar a cura para o câncer. Isso sem contar as picuinhas cotidianas que, acumuladas, geram o stress, problemas de relacionamento no trabalho, no casamento, coisas das quais também nos livraríamos. Agora, o mais importante resultado desta proposta seria o fim das desavenças decorrentes das diferenças culturais e religiosas. Acabaria, com a humanidade, a guerra, prova maior de que não somos merecedores da dádiva divina da vida.

Merecemos mesmo a destruição.

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