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O paradoxo brasileiro

por Marcos Vinicios de Araujo Vieira

Na última década, o Brasil apresentou um desenvolvimento social, econômico e político sem precedentes em sua história. No entanto, ainda permanecem em seu quadro social, alarmantes desigualdades e mazelas que funcionam como âncoras do subdesenvolvimento. Entre outros aspectos, o Brasil é o país do paradoxo.

Primeiramente, é necessário ressaltar a estabilidade econômica alcançada a partir de 1994. O país apresentava, até então, uma hiperinflação insustentável em contraposição a uma inflação de um dígito (cerca de 6% ao ano) apresentada atualmente. Entretanto, o país apresentou um pífio crescimento econômico (2% ao ano) enquanto países emergentes, como a China e a Coréia do Sul, apresentaram, nesta última década, em média, um crescimento de 8% ao ano. Além disso, a economia nacional apresenta uma extrema vulnerabilidade externa (dependência de capitais externos e elevada dívida interna) tornando-nos alvo constante de crises conjunturais no mercado internacional.

No plano tecnológico e industrial, o Brasil apresentou um desenvolvimento considerável. No momento, encontra-se instalado um parque industrial diversificado e sofisticado comparado ao de países desenvolvidos como, por exemplo, a competitividade internacional da Embraer no setor aeronáutico. Entre outros, a nação tupiniquim é uma das maiores potências na produção de grãos (mais de 100 milhões de toneladas em 2002). Paradoxalmente, a 11ª economia mundial apresenta em seu quadro social 32 milhões de indigentes, 12 milhões de desempregados, 13 milhões de aposentados recebendo um salário mínimo, uma elevada concentração fundiária e de renda, índices de violência urbana e rural assustadores e um sistema de saúde e educação que, embora apresentou uma evolução, conforme dados do censo 2000, em situação precária.

No plano político, passos importantes foram dados para a evolução do processo democrático, frente ao quadro de corrupções e negligências governamentais. Foi viabilizada a lei de responsabilidade fiscal para os cargos do executivo das esferas federal, estadual e municipal. Esta medida proporcionará um controle orçamentário mais rígido, garantindo o melhor uso do dinheiro público. Além disso, a quebra de sigilo bancário de parlamentares envolvidos em casos de corrupção dá ao parlamento brasileiro (marcado ainda por resquícios do coronelismo e das oligarquias) maior credibilidade frente ao povo.

Em última análise, grandes passos foram dados nessa última década rumo ao progresso. Todavia, o paradoxo da miséria, da fome, do analfabetismo, da doença sem tratamento, do trabalhador rural sem terra, da concentração fundiária e de renda, do aposentado sem amparo, entre outros, formam um quadro típico de subdesenvolvimento. Medidas rumo ao desenvolvimento como a distribuição de renda, reforma agrária, investimento nos encargos públicos, entre outros fatores, são urgências para um país que almeja o sonhado progresso.

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