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Dar Blazer para polícia é segurança política, diz especialista

por Folha Online

Investir nos pobres é uma questão moral e de justiça política. Assim acredita o cientista social Guaracy Mingardi, pesquisador do Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente).

Para ele, a diminuição no número de homicídios e da violência está diretamente ligado à melhora da distribuição de renda.

"Temos que investir na distribuição de renda e na construção de uma perspectiva de futuro para o menino pobre, que está com 10 a 12 anos. Isso terá reflexo quando ele tiver entre 15 e 17. Ele ficaria menos propenso a partir para o crime. Isso existe", disse Guaracy, que também é assessor especial do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães Marrey.

Integração

O cientista social defende investimentos na área da segurança pública, mas não como no modelo atual com fornecimento de armas e "carros grandes" para a polícia.

"O investimento é mal feito. Aplicar recursos em automatização de impressões digitais e em programas de identificação de balas para saber se há ligação entre homicídios é melhor do que comprar Blazer para a polícia", disse.

"A Blazer, com diversas cores, faz o morador achar que vai estar seguro, mas não vai inibir a ação do criminoso. Carro grande é uma questão de segurança política, não pública", afirmou. "Ter dois policiais em dois carros 1.0 é melhor que quatro em uma Blazer. Mas o carro 1.0 aparece menos que uma Blazer".

Para ele, segurança pública deveria criar um comitê que reunisse também representantes das áreas da saúde, educação, trabalho e das prefeituras.

"É necessário uma integração, não uma subordinação. Os representantes deveriam se encontrar e discutir problemas de determinadas áreas e investir nelas. Se necessário, convidar até bombeiros e associações comerciais para saber como eles poderiam atuar conjuntamente", disse.

Investimento

Para José Inácio Cano, professor do departamento de sociologia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e membro do Laboratório de Análise da Violência, o elemento de maior peso para o aumento da violência é o socioeconômico.

"Os maiores especialistas do mundo concordam que os determinantes da violência são estruturais e têm menos a ver com a segurança pública. Para mudar o quadro da violência deve haver investimento no jovem carente, na população carente, na população inserida em situações de risco", disse.

Segundo ele, a prioridade é investir em todos os setores - não apenas na polícia - com medidas em que os resultados sejam obtidos a curto prazo.

Fator econômico

Já a coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, a psicóloga social Nancy Cardia, acredita que a diminuição da violência está ligada mais ao fator social do que o econômico.

Para ela, o importante não é o aumento da renda para os mais pobres e sim o resultado que esse possível aumento pode implicar. "O problema é a desigualdade no acesso a serviços, na qualidade de vida. É necessário saber em que medida a questão econômica vai trazer lazer, saúde, educação e cultura. A questão é ao que o econômico dá acesso, o que ele poderá fornecer de social".

Fonte:

Folha Online

www1.folha.uol.com.br/folha/

 

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